SAUDADES DO OTELO

Quando jovem, frequentando a noite e as badaladas festas da faculdade, conheci Rosana, uma estudante de jornalismo de esquerda, que sonhava com o Lula no poder. Com ela, alem dos porres de cuba livre (ela era mesmo de esquerda até na bebida) aprendi a dar uns tapas na marijuana, se é que você me entende. 
Uma madrugada fria voltando pra casa chapadão, encontrei um gatinho que tremia de frio e miava muito. Sensibilizado não tive dúvida. Gritei. “Otelo vem! E ele veio trêmulo nas otelogminhas mãos.
O levei pra casa e o nome ficou mesmo, Otelo, nome em homenagem ao famoso personagem de Shakespeare. 
Em poucos dias de cuidado,Otelo já havia se apegado a mim. 
Por onde eu ia ele estava por perto. Se estava dormindo ele também dormia. Quando me ausentava atormentava minha mãe miando aos seus pés.
Algumas semanas depois minha mãe o apelidou de noynha.
Estranhando, quis saber dela o motivo do apelido é ela:
– Porque quando sai do seu quarto com os olhos vermelhos ele vem trincando de fome.
“Caraí, essa veia sabe de tudo.” Pensei…
Os anos se passaram e  parei com tudo: baladas, bebidas, marijuanas… Um dia o Otelo sumiu. Procurei desesperado por todos os cantos. Espalhei cartazes  em muros e postes, mas nunca mais o vi.
A tese da minha mãe para o sumiço: “Abstinência”

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